seus olhos pareciam dois rios
marejavam sem saber o porquê
ou já sabendo e sem querer saber
engolia os dias à seco
passava as noites costurando versos bordados de amor
tinha esperança que um dia estaria são de novo
- ela vai voltar.
- amanhã vai ter sol.
diziam em coro as vozes mais gentis
até que um dia não aguentou mais ver o tempo dançando na sua janela
e morreu na esquina do seu último poema.
29.12.10
12.11.10
24h remediadas em 1 min
1 da manhã. você quer dormir e não consegue. já viu todos os vídeos e blogs e propagandas e conversou com todos os contatos possíveis do msn. já ouviu a discografia completa de chico buarque. já foi na sala e voltou umas 15 vezes. já olhou da janela umas 5. já bebeu água, leite e suco de manga. até que resolveu ir deitar. acordou 4 vezes durante a noite. 9 da manhã. o despertador toca. o sol preenche sua cara. você liga o computador. 15 emails na caixa de entrada. mil tarefas pra fazer e uma vontade de não fazer nada. você começa a trabalhar e deixa o celular do lado. já olhou pra ele mil vezes na esperança de uma ligação. nada. 10 e meia da manhã. mais emails. mais trabalhos. mais preguiça. e, de quebra, sua mãe gritando. de repente o telefone toca. não é ele. e nem poderia ser. mais trabalho, mais preguiça. 12 e meia da tarde. o sol preenche seu quarto. a música esquecida no repeat dá cada vez mais agonia. o almoço atrasa. e o telefone continua do seu lado, sem tocar. 4 da tarde. a caixa de entrada há muito deixou de ser problema. a tarde vai esfriando. um cigarro de companhia. e o telefone mudo. 5 da tarde. mil ideias. 6 da noite. um banho pra esfriar a cabeça. 7 da noite. agonia. 8 da noite. mais agonia. 9 da noite. mais agonia ainda. 10 da noite. nada. 10 e meia da noite. alô. tudo bem? sou eu... (a música pára. o sol já se foi. a caixa de email está vazia. sua mãe já tá dormindo. a preguiça passou. e a agonia, também).
20.10.10
12.10.10
2.10.10
por que eu voto em ricardo coutinho

nunca fui muito ligada em política. pra falar a verdade, entendo muito pouco. mas sempre achei uma bobagem das grandes essa coisa da juventude dar as costas e tapar os ouvidos pra algo tão importante e tão hostilizado. afinal, não é apenas um clichê barato dizer que nós, jovens, somos o futuro do país. acreditem, é pura realidade. em 2006, nas eleições pra governador aqui na paraíba, dei de cara com escândalos políticos, tais como dinheiro voando das janelas de apartamentos (quem não lembra?), e não suportava a ideia de cássio cunha lima governar o estado. fui pro lado de zé maranhão, entrei pro comitê jovem, percorri ruas e ruas em busca de voto, fiz de tudo pra combater às injustiças descaradas do psdb - e eu ainda nem votava. a eleição se foi, cássio assumiu o poder, a paraíba voltava ao comodismo e à estagnação de sempre. não que zé maranhão fosse um político exemplar. na minha cabeça, ele apenas poderia transformar a nossa história política e sua oligarquia "cunha lima". mas não foi daquela vez. algum tempo depois, cássio foi cassado, uma vergonha nacional, e maranhão assumiu o poder. nem preciso falar de tamanha desilusão ao ver com meus próprios olhos que todo o meu apoio havia sido em vão, pois ele em nada mudou o nosso estado. em 2008 vieram as eleições pra prefeito. os partidos de direita dominavam o estado e a capital, e eu continuava com sede de mudança. entre as relações tão ultrapassadas de candidatos, com seus slogans e promessas tão antigos, eis que surge um tal ricardo coutinho, de quem havia ouvido falar alguma coisa, de partido esquerdista, com propostas inovadoras e um discurso pra lá de consciente. tirei meu título aos 17 anos, mesmo sem obrigatoriedade, e me dei a chance de contribuir para a mudança e apostar em um candidato diferente de todas as nossas antigas experiências. não sabia ao certo se estava fazendo o que deveria ser feito e, como em todos os casos, eu poderia estar errando feio. mas de uma coisa eu tinha certeza: diante de tantos políticos que passaram por aqui e tantos erros cometidos com joão pessoa, se eu estivesse errando, dessa vez, erraria de forma diferente. em janeiro de 2009, ricardo coutinho era de novo prefeito de joão pessoa. uma vitória de uma cidade tão desacreditada da política. poucos meses depois obtive a resposta para a minha dúvida. tinha acertado na minha escolha e pude me orgulhar de não jogar o meu primeiro voto no "lixo". daí em diante, joão pessoa nunca mais foi a mesma cidade. entendo que governar uma capital deve ser trabalho árduo, mesmo assim pudemos dispor de melhorias em muitos setores e em muito pouco tempo, além de ganharmos o título de "cidade com melhor prefeito do nordeste" e "10 melhores práticas de gestão para o desenvolvimento humano na américa latina e caribe". hoje, com 19 anos, quase todos vividos aqui, nunca tinha visto a cidade como em sua atual forma. se não soasse tão pretensioso, diria que é uma outra cidade! besteira mesmo foi acreditar que cássio, maranhão ou esses políticos tão repetitivos mudariam em algo a nossa história. hoje vivemos uma nova eleição, dessa vez para governador. quando soube que ricardo coutinho, aquele mesmo que transformou joão pessoa, poderia ter a chance de transformar a paraíba, acreditei novamente, depois de tantos anos, que o nosso estado ainda tinha jeito. depois vieram os boatos da aliança com cássio cunha lima e, em seguida, a confirmação. como muita gente, fiquei sem acreditar que ricardo poderia se aliar ao "lado negro da força". confesso que até desisti de dar meu voto a ele, de tanta desilusão. grande besteira! ora, se ricardo teve a chance de mostrar sua gestão e nos trouxe saldos indiscutivelmente positivos, por que eu acreditaria que essa aliança, que enxergo unicamente como estratégia política, iria mudar sua ideologia? sem apoio dos poderosos cunha lima, ainda que tão dolorido, nunca seria possível derrotar maranhão e a máquina de dinheiro do governo que ele tem em mãos. dinheiro nosso, diga-se de passagem, que agora circula por aí em troca de carros adesivados, pesquisas compradas e ideais interrompidos. triste ver uma sociedade corrompida, comprada, trocando sonhos e possibilidade de mudança por papel. entretanto, nessa luta que, creio eu, não acabará nem tão cedo, ainda sonho e acredito em uma paraíba melhor, não apenas pro meu próprio umbigo, mas para todos os paraibanos, com gente decente nos representando e fazendo valer o nosso voto. dizem que se conselho fosse bom, ninguém daria: venderia. mas como estou cansada dessa coisa de trocar tudo por dinheiro, em troca da minha modesta opinião, peço apenas que abram os olhos e a mente no próximo dia 3 de outubro.
"Uma eleição é feita para corrigir o erro da eleição anterior, mesmo que o agrave" - Carlos Drummond de Andrade
1.10.10
26.9.10
volta ou vai embora, meu amor
ele vai voltar quando você já tiver ido embora
você vai querer ficar, mas alguma coisa vai querer te impedir
ele vai embaralhar seus pensamentos pra você não saber qual direção seguir
você vai se perder, ele vai te achar, vocês vão se encontrar
ele vai te deixar
você vai querer ficar, mas alguma coisa vai querer te impedir
ele vai embaralhar seus pensamentos pra você não saber qual direção seguir
você vai se perder, ele vai te achar, vocês vão se encontrar
ele vai te deixar
22.9.10
pecado
engulo os dias, engano os danos
vou no caminho mais distante pra não passar pelo teu
desligo o telefone, esqueço o número
tento fingir pra mim e pra você que não é
mas de repente tem o sábado
ou a sexta ou a noite ou alguma esquina
ou um orelhão no meio do caminho
e de repente tem você
(a gente se olha, se toca, se fala, se cala, se estala - se embala)
daqui a pouco é dia outra vez
e hoje vai ter sol
vou no caminho mais distante pra não passar pelo teu
desligo o telefone, esqueço o número
tento fingir pra mim e pra você que não é
mas de repente tem o sábado
ou a sexta ou a noite ou alguma esquina
ou um orelhão no meio do caminho
e de repente tem você
(a gente se olha, se toca, se fala, se cala, se estala - se embala)
daqui a pouco é dia outra vez
e hoje vai ter sol
13.9.10
10.9.10
8.9.10
caridade
juras de amor
jura jura jura que é verdade
rimas de um escritor
diz pra mim que não é só vaidade
flashs de um amador (cheios de cor)
promete que não tem validade
jura jura jura que é verdade
rimas de um escritor
diz pra mim que não é só vaidade
flashs de um amador (cheios de cor)
promete que não tem validade
7.9.10
passa, tempo
passa, tempo. passa, corre, voa, dobra as esquinas e atropela os sinais. passa por mim, passa de mim! - e não olha pra trás.
2.9.10
1.9.10
à gosto
era tão tarde e estava tão cansada. os dias passaram correndo e, mesmo assim, pôde senti-los a cada pedaço. toda manhã o sol entrava pela janela sem pedir licença e já era hora de acordar. o almoço apressado, os ônibus lotados, a correria alheia tão sua. de casa pro trabalho. do trabalho pra casa. nesse ínterim, só fazia observar. o casal atravessando a rua, o céu mudando de cor, o lixo voando da janela do carro ao lado, a sirene do colégio tocando - amanhã de novo e de novo e de novo. e só observava. e só andava. e só era a sua melhor companhia. esses dias lentos, crus, iguais - mas tão próprios - que não queria outra coisa senão o amanhã - de novo.

"escuto a correria da cidade, que arde, e apressa o dia de amanhã"

"escuto a correria da cidade, que arde, e apressa o dia de amanhã"
30.8.10
relendo um antigo poema da adélia prado, lembrei de como é bonito amar por amar e somente amar.
"há mulheres que dizem:
meu marido, se quiser pescar, pesque
mas que limpe os peixes
eu, não! a qualquer hora da noite me levanto
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar
é tão bom, só a gente sozinhos na cozinha
de vez em quando os cotovelos se esbarram
ele fala coisas como "este foi difícil"
"prateou no ar dando rabanadas"
e faz o gesto com a mão
o silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo
por fim, os peixes na travessa
vamos dormir
coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva"
tem dessas coisas.
"há mulheres que dizem:
meu marido, se quiser pescar, pesque
mas que limpe os peixes
eu, não! a qualquer hora da noite me levanto
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar
é tão bom, só a gente sozinhos na cozinha
de vez em quando os cotovelos se esbarram
ele fala coisas como "este foi difícil"
"prateou no ar dando rabanadas"
e faz o gesto com a mão
o silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo
por fim, os peixes na travessa
vamos dormir
coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva"
tem dessas coisas.
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