2.9.10
1.9.10
à gosto
era tão tarde e estava tão cansada. os dias passaram correndo e, mesmo assim, pôde senti-los a cada pedaço. toda manhã o sol entrava pela janela sem pedir licença e já era hora de acordar. o almoço apressado, os ônibus lotados, a correria alheia tão sua. de casa pro trabalho. do trabalho pra casa. nesse ínterim, só fazia observar. o casal atravessando a rua, o céu mudando de cor, o lixo voando da janela do carro ao lado, a sirene do colégio tocando - amanhã de novo e de novo e de novo. e só observava. e só andava. e só era a sua melhor companhia. esses dias lentos, crus, iguais - mas tão próprios - que não queria outra coisa senão o amanhã - de novo.

"escuto a correria da cidade, que arde, e apressa o dia de amanhã"

"escuto a correria da cidade, que arde, e apressa o dia de amanhã"
30.8.10
relendo um antigo poema da adélia prado, lembrei de como é bonito amar por amar e somente amar.
"há mulheres que dizem:
meu marido, se quiser pescar, pesque
mas que limpe os peixes
eu, não! a qualquer hora da noite me levanto
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar
é tão bom, só a gente sozinhos na cozinha
de vez em quando os cotovelos se esbarram
ele fala coisas como "este foi difícil"
"prateou no ar dando rabanadas"
e faz o gesto com a mão
o silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo
por fim, os peixes na travessa
vamos dormir
coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva"
tem dessas coisas.
"há mulheres que dizem:
meu marido, se quiser pescar, pesque
mas que limpe os peixes
eu, não! a qualquer hora da noite me levanto
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar
é tão bom, só a gente sozinhos na cozinha
de vez em quando os cotovelos se esbarram
ele fala coisas como "este foi difícil"
"prateou no ar dando rabanadas"
e faz o gesto com a mão
o silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo
por fim, os peixes na travessa
vamos dormir
coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva"
tem dessas coisas.
26.8.10
24.8.10
rua do encontro
naquela rua tinha um moço
naquele moço tinha um rio
naquele rio tinha um barquinho
e no barquinho, solidão
na solidão tinha uma moça
naquela moça, esperança
na esperança tinha sonhos
naqueles sonhos tinha vida
naquela vida tinha uma rua
naquela rua tinha um moço
naquele moço tinha um rio
naquele rio tinha um barquinho
e no barquinho, solidão
na solidão tinha uma moça
naquela moça, esperança
na esperança tinha sonhos
naqueles sonhos tinha vida
naquela vida tinha uma rua
naquela rua tinha um moço
23.8.10
sim
não mais ansiedade pré-chegada
não mais saudade pós-partida
não mais amores de fim de tarde
não mais abraços de fim de noite
não mais caminhadas cantadas
não mais silenciosos afagos
não mais mesa de bar
não mais quarto e sala
não mais risadas de olhos tão fechados
não mais choro de ouvidos tão abertos
não mais eu, não mais tu
não mais nós
não, mas vai ser melhor.
não mais saudade pós-partida
não mais amores de fim de tarde
não mais abraços de fim de noite
não mais caminhadas cantadas
não mais silenciosos afagos
não mais mesa de bar
não mais quarto e sala
não mais risadas de olhos tão fechados
não mais choro de ouvidos tão abertos
não mais eu, não mais tu
não mais nós
não, mas vai ser melhor.
25.6.10
17.6.10
dorme, menininho
que enquanto você dorme
eu te cubro com a minha poesia
te envolvo em versos quentes
e te faço cafuné a noite inteira
com palavras leves e doces
que é pra não pesar no teu sono
ao te ver sonhar, falo baixinho
pra não correr o risco de você acordar
e quando o dia vem surgindo
deixo livre os passarinhos
pra quando você despertar
que enquanto você dorme
eu te cubro com a minha poesia
te envolvo em versos quentes
e te faço cafuné a noite inteira
com palavras leves e doces
que é pra não pesar no teu sono
ao te ver sonhar, falo baixinho
pra não correr o risco de você acordar
e quando o dia vem surgindo
deixo livre os passarinhos
pra quando você despertar
4.6.10
21.4.10
explode, coração
os olhos continuaram a dizer cousas infinitas, as palavras de boca é que nem tentavam sair, tornavam ao coração caladas como vinham.
machado de assis.
machado de assis.
6.4.10
tinha vontade de dizer que sonhava contigo todas as noites, que me arrumava meia hora antes do normal, só pra dar tempo de ficar bonita, caso eu te encontrasse, e que minhas frases de amor há muito levavam o teu nome nas entrelinhas. tinha saudade do teu toque que nunca senti, da tua mania de enrolar o cabelo que eu nem sei se você tem, da tua camisa da mesma cor da minha. tinha medo de te perder antes de você ser meu, de alguém chegar antes de mim ou de parecer superficial. tinha raiva de quem tinha você por perto, das tuas risadas que não era eu que provocava e mais raiva ainda do teu jeito de combinar cinto de taxa com all star. tinha guardado meus sonhos mais malucos só pra te contar. tinha pintado a parede com o desenho que você gosta (mesmo sem saber qual é). tinha comprado nosso livro preferido que eu mesma decidi qual seria. tinha você dentro de mim desde a primeira vez que te vi. e mesmo assim, te tinha tão longe...
3.4.10
carência. você olha tudo a sua volta e nada te faz querer seguir em frente. você se apega ao passado que foi bom e não imagina nada dali pra frente. ou imagina, mas não acredita. os dias passam todos os iguais, mudam apenas de nome. dias traiçoeiros são esses. as madrugadas há algum tempo são as suas únicas companheiras. toda aquela alegria que você vê nas pessoas quando resolve sair de casa em algum sábado menos triste, parecem não caber você. os casais apaixonados, as amizades tão puras. você pensa que talvez essa não seja a sua vida dos prazeres, quem sabe na próxima? ou talvez ela já tem passado, quem sabe? o relógio marca a mesma hora de ontem. as músicas tocam na mesma melodia. a campanhia toca e você recusa toda e qualquer visita ao seu mundo. sim. este é o seu mundo, agora. e você não pensa em abrir a porta nem tão cedo.
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