24.8.10
rua do encontro
naquele moço tinha um rio
naquele rio tinha um barquinho
e no barquinho, solidão
na solidão tinha uma moça
naquela moça, esperança
na esperança tinha sonhos
naqueles sonhos tinha vida
naquela vida tinha uma rua
naquela rua tinha um moço
23.8.10
sim
não mais saudade pós-partida
não mais amores de fim de tarde
não mais abraços de fim de noite
não mais caminhadas cantadas
não mais silenciosos afagos
não mais mesa de bar
não mais quarto e sala
não mais risadas de olhos tão fechados
não mais choro de ouvidos tão abertos
não mais eu, não mais tu
não mais nós
não, mas vai ser melhor.
25.6.10
17.6.10
que enquanto você dorme
eu te cubro com a minha poesia
te envolvo em versos quentes
e te faço cafuné a noite inteira
com palavras leves e doces
que é pra não pesar no teu sono
ao te ver sonhar, falo baixinho
pra não correr o risco de você acordar
e quando o dia vem surgindo
deixo livre os passarinhos
pra quando você despertar
4.6.10
21.4.10
explode, coração
machado de assis.
6.4.10
3.4.10
31.3.10
22.3.10
depois que desligo a tv, fico com aquela sensação do quão egoísta a gente é. e fico com vontade de abraçar o mundo e ser melhor para mim e para todos, dali por diante.
é muito desaforo poder viver "minha vida comigo" e só reparar isso quando já não der mais. como num jogo, será mesmo que é preciso um cronômetro nos avisando quanto tempo ainda falta?
ontem eu decidi ser alguém.
19.3.10
18.3.10
quando a inspiração evapora
26.2.10
todo carnaval tem seu fim
todo ano é assim: muitas cores, muitos sorrisos e, por fim, muitas lágrimas. quando chega fevereiro a gente se encontra, você me pega no aeroporto e me leva pra sua casa. o lado da cama encostado na parede é meu. fazemos competição de massagem e, como sempre, você ganha. daqui a pouco o dia já vem nascendo e a gente sequer se deu conta. dormimos abraçados no aconchego que só a gente tem e amanhecemos cheios de uma preguiça boa, que poderia durar eternamente. ficamos deitados por muito tempo depois de acordar, apostando quem vai ter coragem de se levantar primeiro. até a hora que você se rende, toma um banho e volta todo cheiroso, me dando beijinhos de bom dia. no café da manhã, iogurte de maçã, meu preferido. depois a gente se enfeita todo e se veste de alegria, vai pra rua e só volta à noite. vemos nossos shows preferidos, pegamos carona com as risadas alheias e admiramos o amor que existe por aqui nessa época do ano. madrugamos em um boteco qualquer, brindando à nossa paz. isso tudo dura uns três dias, depois a vida segue. todos os outros 362 são feitos de saudade. o caminho de volta pro aeroporto é o mais doloroso, esse nó na garganta e esse pranto eu sei de cor. a fugacidade dos nossos momentos se eterniza em meu peito e, depois de tanta alegria, o jeito é aturar a tristeza. a gente se despede e promete que não vai se perder nunca e vai se falar todos os dias. e até cumprimos. ano que vem tem mais. enquanto isso, eu vou construindo, na minha solidão, fantasias de nós dois. pra quando o carnaval voltar.